No dia 02/06/2020, a hashtag #BlackoutTuesday surgiu para que, durante 24 horas, as pessoas pudessem parar e refletir sobre as tensões raciais de nossa sociedade, e aprender como fortalecer a luta antirracista.

Uma das melhores formas de aprender, sobre qualquer tema, é lendo livros. Ajuda a ampliar os pontos de vista, contribui para entender a realidade ao nosso redor e instiga a entrar em conversas sobre o tema.

É comum ouvirmos que todo branco é potencialmente racista, por nascer em uma estrutura social que oferece muitos privilégios para quem possui a pele clara. É verdade. E reconhecer este fato é o primeiro passo, mas só isso não é o suficiente.

O próximo passo é você se educar sobre o que é ser antirracista e se engajar em conversas com outras pessoas que estejam por aí replicando atos racistas.

Seja aquele tio chato no grupo do zap, um amigo que adora fazer piadinhas, ou uma agressão explicita de racismo que você presencie em uma loja, por exemplo, é preciso agir. Mas para agir de forma mais eficiente, é preciso se educar.

Pequeno manual antirracista - Djamila Ribeiro

Um livro em formato de manual, breve e direto ao ponto. Gosto dele por ser atual, em uma linguagem acessível e que contempla todos os temas importantes para quem ainda está perdidão no assunto. A autora tem feito um trabalho excelente de divulgação da luta antirracista em suas obras recentes, com destaque para este novo livro.

Tão longe, tão perto. Identidades, discriminação e estereótipos de pretos e pardos no Brasil - Verônica Toste

Uma sugestão mais acadêmica, porém essencial para entendermos o que significa a categoria racial pardo, termo polêmico e que nos ajuda a entender as peculiaridades das discriminações racistas no Brasil. Apesar do racismo ser um problema global, em cada região do mundo ele possui características únicas, e às vezes distintas.

Mulheres, raça e classe - Angela Davis

Já no começo do livro, a autora descreve e detalha os horrendos efeitos da recente escravidão no processo de tentativa de desumanização de pessoas negras. Essa reflexão nos faz perceber como não podemos repensar a sociedade moderna sem considerar a resolução dos conflitos raciais como prioridade. Somado a isso, precisamos considerar a intersecção entre gênero, raça e classe, para produzir efeitos realmente transformadores.

Disrupting white supremacy - Jennifer Harvey

Através de uma ótica cristã norteamericana, este livro ajuda na reflexão sobre o que significa o conceito de supremacia branca, como ele está entranhado nas sociedades modernas e caminhos de como combatê-lo. Apesar de só ter disponível em inglês, é uma leitura altamente recomendada. (principalmente para ajudar a conversar com aquela tia racista porém evangélica).

Entre o mundo e eu - Ta-Nehisi Coates

Este livro entrou na categoria top 5 livros que me arrepiaram do começo ao fim. O jornalista Ta-Nehisi Coates descreve, de forma brilhante, sua experiência como homem negro nos Estados Unidos, em um livro-carta dirigido ao seu filho, ainda adolescente. Vale cada página.

Nem preto nem branco, muito pelo contrário - Lilia Moritz Schwarcz

A pesquisa da antropóloga Lilia Schwarcz tenta dar conta da hercúlea missão de explicar os conflitos raciais do Brasil, que são marcados pela negação pública de sua existência, mas que os fatos e dados comprovam estritamente o contrário: somos, provavelmente, o país mais racista do mundo.


Esses são alguns dos milhões de livros que existem sobre o assunto. A luta antirracista não nasceu ontem e não há problema se você não fez nada sobre até agora.

A luta antirracista não é sobre carregar culpa, é sobre transformar culpa em responsabilidade.

E responsabilidade se apresenta através de atos. E se educar é o primeiro ato.