Run, Forrest, run!

Por um período, ao me comparar com meus colegas de faculdade, eu achava que ter vivido tão pouca coisa era motivo de vergonha. Me sentia inferior. Mas, desde novo, por conta da minha aptidão pela leitura, adquiri um imenso repertório e desenvolvi uma mente muito fértil.

Então, para superar essa vergonha, comecei a mentir.

Nada muito grave, porém. Eu mentia sobre viagens que nunca fiz, minha relação com pessoas que nunca conheci, livros que nunca nem comecei a ler, experiências que nunca vivi, e por aí vai.

Todas essas mentiras me proporcionaram, durante um tempo, a possibilidade de me sentir em pé de igualdade com as pessoas de origens radicalmente diferente das minhas e retirou, por ora, minha vergonha de conviver com os diferentes de mim e compartilhar os mesmos espaços.

Talvez tenha sido por essas primeiras mentiras que comecei a ter acesso à um mundo de experiências de verdade, proporcionadas por trabalhos e afetos que adquiri ao longo da vida.

Pode não ter sido a melhor estratégia, mas definitivamente foi a melhor que encontrei na época. É algo que não preciso mais fazer hoje, mas serviu como aprendizado na construção da minha própria história.

Quando você tem a consciência de que suas oportunidades são poucas e não podem ser desperdiçadas, falar a verdade e perder a chance de se incluir é um luxo.